segunda-feira, 13 de julho de 2009

Sacolinhas - parte 1

Quando visitei a Itália em 1999 passei por um mini-aperto. Fui ao supermercado e – surpresa – eles simplesmente não forneciam sacolinhas de plástico gratuitas. (!!!) Felizmente, por 500 liras (o equivalente, na época, a uns 50 centavos de real), na boca do caixa, era possível adquirir uma sacola grande e feita de um plástico mais resistente, e, possivelmente, reutilizável diversas vezes.

Aí lembrei que tinha visto uma porção de senhoras puxando carrinhos que pareciam malas leves. O básico carrinho de feira. Na época, ainda não conhecia as tote bags (ou eco bags) que hoje fazem nossa felicidade.

Acontece que a Itália me promoveu um choque de realidade capitalista. Brasileira visitando o velho mundo pela primeira vez,eu tinha certas expectativas. Todas consumistas. Não sei exatamente o que esperava, uma Miami menos brega? Acontece que na Itália as lojas encerram cedo, fecham para o almoço e, exceto as que são direcionadas ao turismo, simplesmente não funcionam em agosto. Elas também não têm tanto material promocional, embalagens complexas ou grandes fachadas. Nas cidades históricas só é permitido à loja uma pequena plaquinha. Mas como??? Se ele têm dinheiro, indicadores sociais muitos mais altos do que os nossos e algumas das marcas mais elegantes do mundo? É que o consumo é parte da vida, mas não é determinante na existência dos cidadãos.

Mas voltando à sacolinha. Hoje, uma década depois, existe um projeto de lei tramitando no congresso brasileiro que regulamenta o uso das famigeradas.O projeto, proposto pelo deputado Flávio Bezerra do PMDB/CE propõe que seja utilizado o plástico oxi-biodegradável, que leva 18 meses para se decompor, em oposição ao plástico comum, que pode levar até 400 anos para sumir das nossas vistas.

É uma proposta interessante, certamente. Mas não seria uma atitude mais construtiva (ou, no caso, econômica) trabalhar, por meio de campanhas, o conceito das sacolas reutilizáveis? Dificultar, mesmo, o uso de embalagens de todo tipo, tornando-as não-gratuitas em todo o comércio?

Deixo aqui as questões para um segundo post.

PS. Onde estão os sacos de papel pardo e grosso no estilo COBAL? Foram extintos com a dita cuja na era Collor?

Saiba mais:

http://www.conpet.gov.br/noticias/noticia.php?segmento=&id_noticia=1136